Fato ou fake: a quarentena está reduzindo a poluição?

O coronavírus, a quarentena e o isolamento social têm causado muitas mudanças nas cidades e hábitos das pessoas ao redor do mundo. No Brasil é notável a diminuição de pedestres e carros, lojas fechadas, cancelamento do sistema zona azul, horários diferenciados de serviços, essencial, entre muitos outros.

E, além do cuidado com a proteção individual e dos familiares, atualizações de números de contaminados pelo vírus e outras notícias relevantes na pandemia, o meio ambiente vem chamando muito atenção nesse período.

Diversas são as notícias sobre a redução de poluição, fotos de pôr do sol e céu estrelado, ressacas nos mares em diversas cidades e muitos fenômenos que a natureza está proporcionando.

Com muitas fake news espalhadas pela internet, é natural que surjam dúvidas de até que ponto essas informações são verdadeiras ou não, não é mesmo? Pensando nisso, vamos falar mais sobre a poluição e o que é verdade nessas histórias? Confira!

Meio ambiente e quarentena

Sabemos que desde que iniciada a quarentena ao redor do mundo, diminuiu-se a circulação de carros e pessoas pelas ruas. E, se é tão difícil para os seres humanos se manter em casa nessa fase difícil, o meio ambiente tem respirado melhor durante esse tempo.

Em diversos lugares já notam-se quedas no índice de poluição no ar e melhora significativa em sua qualidade. Os níveis de poluição estão sendo monitorados por imagens de satélite e o fenômeno se deve, principalmente, à redução de circulação de veículos que, em geral, são os principais emissores de compostos pelas cidades.

Na China e na Itália, por exemplo, países com grande número de casos da doença e rigidez no isolamento social foram notadas mudanças impressionantes. Os países monitorados pela Agência Espacial Europeia tiveram grande redução de dióxido de nitrogênio, produzido pela queima de combustíveis fósseis durante a quarentena.

Além da melhoria do ar, as águas de canais de Veneza, tão marcado por fotos turísticas está com águas cristalinas e, pela primeira vez em tempos, foram encontrados peixes nos canais. 

Com turistas proibidos de entrarem no país e a cidade parada, os canais não sofrem tanto tráfego, o que permitem que o sedimento natural de cada um deles permaneça no fundo e eles trabalhem naturalmente como deveria ser.

No Brasil também é possível identificar mudanças nesse pequeno tempo de quarentena, mesmo que a do país ainda esteja longe do ideal e seja bem mais flexível do que a da China e de países europeus como Itália e Espanha, por exemplo.

De acordo com imagens de satélite captadas pela Agência Espacial Europeia, já são vistos redução de dióxido de nitrogênio em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia e Brasília.

São Paulo

No maior foco da doença no país, é possível observar quedas nos índices de poluentes no ar. De acordo com dados da Cetesb, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, já foram observados a redução de 50% de monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio durante a quarentena.

O dióxido de nitrogênio e o monóxido de carbono são emitidos pela queima de combustível de veículos. O dióxido de nitrogênio é considerado mais prejudicial por ser encontrado em maior concentração na atmosfera. Eles são produzidos por veículos pesados, movidos a diesel, enquanto o monóxido de carbono tem como maior fonte os veículos leves.

Portanto, a diminuição que tem a ver com o número de carros na rua, reduziu também a poluição causada por fuligens que saem pelo escapamento e desgaste de pneu no asfalto das ruas da cidade.

Com menos gases poluentes no ar, explica-se a maior visibilidade do céu, estrelas e nos astros durante os dias ou noites.

A melhora do ar tem impacto direto com a vida das pessoas, afinal, por estarmos no outono e se tratar de uma época do ano com menos chuva e umidade, níveis melhores de ar faz com que as pessoas sofram menos problemas respiratórios não provenientes do coronavírus.

Impactos a curto e longo prazo

Mesmo já sendo notados impactos positivos para o ar durante a quarentena, é importante ter em mente que apenas alguns dias isolados não contribuem tanto assim para a mudança no ecossistema.

Evidente que toda redução de poluição é bem-vinda e, a curto prazo melhora a saúde das pessoas, principalmente aqueles que possuem problemas respiratórios.

Porém, é preciso que ocorra um período maior para mais análises sobre os impactos no meio ambiente e que existam técnicas e ações dos estados buscando minimizar os efeitos da poluição com todos os habitantes circulando livremente pelas ruas.

A preocupação deve ser com a volta da poluição para o que era antes da pandemia. É importante utilizar os dados vindos desse momento para traçar políticas públicas e ambientais de controle a emissões desses gases no meio ambiente.

Cuidar do meio ambiente deve ser preocupação de todos os dias, não apenas em momentos extraordinários como de pandemia. 

O que você já notou de diferente no meio ambiente nesses dias de isolamento? Aproveite que agora você sabe mais sobre a redução de gases poluentes e reflita sobre como contribuir para a redução da poluição!

Add a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *